Diocese de Santarém

PARTICIPAR NA CARIDADE E NA JUSTIÇA

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Enviado por Diocese em 28/01/10 - 09:39

1. A tragédia do Haiti está a gerar uma onda admirável de solidariedade e de partilha. As pessoas, face a este drama de tão grande sofrimento, revelam muita bondade e generosidade, a sociedade civil movimenta-se, mostra grande capacidade de intervenção e, através de muitas organizações não governamentais, oferece uma resposta rápida que está já em acção no terreno. Apesar da crise económica e moral, aparece dinheiro e boa vontade para partilhar. Embora lamentemos tantas vezes o forte egoísmo que parece pautar o comportamento dos nossos contemporâneos, nesta altura não podemos deixar de admirar a marca da caridade bem visível no coração humano.


É louvável também a capacidade de encaminhar o auxílio para que chegue ao destino. Saber, por exemplo, que a Caritas da nossa diocese e do nosso país está em rede com a Caritas internacional e a Caritas dos EUA e estas, por sua vez, estão a trabalhar no terreno com a Caritas do Haiti, não deixa de ser gratificante. Podemos assim partilhar com a confiança de que a ajuda é bem encaminhada e bem aplicada. A Caritas da nossa diocese enviou já uma primeira ajuda e enviará outras ainda. As necessidades vão prolongar-se e a reconstrução vai demorar. As comunidades e seus pastores que queiram associar-se à solidariedade com o Haiti podem recolher o contributo da população ou destinar algum ofertório dominical para este fim e entregar à Caritas diocesana que fará chegar ao seu destino.
 
2. Neste movimento de solidariedade é igualmente admirável a participação activa da sociedade, a riqueza do voluntariado. Nestas ocasiões as pessoas não ficam à espera que os governos resolvam. Avançam, actuam, respondem.
A mesma participação activa é necessária na construção da justiça e da paz. Se toda a gente fosse empenhada em participar activamente na humanização da sociedade, no respeito pela dignidade de cada pessoa, na responsabilidade pelo bem comum, na defesa dos direitos humanos e da integridade da criação, teríamos uma vida com mais qualidade tanto nas relações sociais como a nível ecológico. Mas, muitas vezes, assume-se uma atitude passiva e fica-se à espera que sejam os outros a solucionar os problemas.
No entanto, tem crescido a preocupação pela defesa da natureza. Hoje as pessoas são sensíveis à qualidade do ambiente natural, à limpeza das ruas, à protecção dos mares e dos rios para que não sejam prejudicados pela poluição. “Se queres cultivar a paz preserva a criação” recomendou-nos o Papa Bento XVI na mensagem de Ano Novo. Mas lembrou também que a crise ecológica está profundamente relacionada com a crise cultural e moral. Como afirmara na Carta sobre a “Caridade na verdade”: “O livro da natureza é uno e indivisível tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a vertente da vida, da sexualidade, do matrimónio, da família, das relações sociais, numa palavra do desenvolvimento humano integral. Os deveres que temos para com o ambiente estão ligados com os deveres que temos para com a pessoa considerada em si mesma e em relação com os outros”(51).
Para participar activamente na construção da justiça e da paz e no compromisso com uma vida saudável, todos precisamos de uma educação permanente como recomenda a referida mensagem papal do Ano Novo. É uma tarefa que a Comissão diocesana “Justiça e Paz” se propõe levar avante. Fazemos votos para que encontre adesão e promova uma participação mais activa na humanização da sociedade.
+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santarém


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